Valor das Casas: Avaliação bancária ultrapassa os 2.100€/m2
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Os dados recentes do Banco de Portugal revelam um salto histórico: o stock de crédito à habitação cresceu 10,4% em janeiro, atingindo os 111,7 mil milhões de euros. É a maior taxa de crescimento anual das últimas duas décadas. Este fenómeno é alimentado por dois motores principais: as medidas de apoio estatal à primeira casa para jovens e o alívio gradual das taxas de juro, que voltou a colocar muitas famílias dentro dos limites de taxa de esforço exigidos pelos bancos.
A perspetiva Incred
Quando as notícias falam em "salto histórico", o consumidor comum tende a baixar a guarda, achando que o banco está a "dar" dinheiro. Na Incred, lemos estes números com precaução. Um mercado com um crescimento de 10,4% é um mercado sob pressão.
Eis o que os números não dizem na primeira página:
1. O efeito "Garantia Pública" e a seletividade
A aceleração deve-se, em grande parte, aos incentivos para jovens até aos 35 anos. No entanto, ter a garantia do Estado para a entrada não altera as regras de ouro da banca: o rendimento tem de ser estável. O banco pode estar a emprestar mais volume, mas está a ser cirúrgico no perfil. Se o seu processo não estiver perfeitamente enquadrado, o facto de o mercado estar a bater recordes não o ajudará a passar no filtro do risco.
2. O perigo do crédito ao consumo camuflado
A notícia destaca também o crescimento de 7,9% no crédito ao consumo. Este é o ponto onde muitos processos de habitação morrem. Famílias que aproveitam o "alívio" dos juros para contrair novos créditos pessoais estão, na verdade, a fechar a porta à compra de casa. Na Incred, o nosso primeiro passo é sempre o saneamento: se faz parte desta estatística de aumento do crédito ao consumo, a sua probabilidade de aprovação na habitação pode estar em causa, dependendo do montante contratado.
3. Avaliações sob pressão
Com o stock de empréstimos a subir, a procura por imóveis dispara, o que inflaciona os preços. O risco de um "gap" entre o preço de venda e a avaliação bancária é hoje maior do que em 2025. O mercado está a dar um salto, mas se a avaliação do perito não acompanhar esse salto, o cliente terá de cobrir a diferença com capitais próprios que, muitas vezes, não tem.
Veredito:
Estamos perante o mercado mais dinâmico dos últimos 20 anos, mas dinâmica implica rigor. Não se deixe levar pelo entusiasmo dos números globais. O banco está a emprestar mais, mas continua a não querer correr riscos com processos mal estruturados. Em 2026, mais do que nunca, o sucesso da sua aprovação depende da forma como o seu caso é apresentado, e não apenas da tendência do Banco de Portugal.
Fonte: https://www.jornaldenegocios.pt/mercados/credito/detalhe/credito-para-a-casa-da-maior-salto-desde-fevereiro-de-2006-no-arranque-do-ano
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