Crédito habitação em Portugal atinge máximo histórico de 114,6 mil milhões de euros

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O stock total de empréstimos habitação em Portugal atingiu em abril o valor mais elevado de que há registo, segundo dados do Banco de Portugal que remontam a 1979. O crescimento anual de 10,7% é o mais expressivo desde fevereiro de 2003.

Em termos mensais, o aumento foi de 1.021 milhões de euros, num contexto em que a procura por financiamento para compra de habitação não dá sinais de abrandamento. O valor atual supera até os níveis registados no início de 2011, quando o país atravessava uma crise imobiliária severa e o montante em créditos habitação também estava acima dos 114 mil milhões de euros.

Portugal acima da média europeia

No conjunto da área euro, Portugal ocupa a quarta posição na taxa de variação anual do stock de crédito habitação, apenas atrás da Bulgária, da Croácia e da Lituânia. A média da zona euro situa-se nos 2,9%, muito abaixo dos 10,7% registados em Portugal, uma diferença que se mantém desde agosto de 2024.

O que está a alimentar este crescimento

Há vários fatores que explicam a aceleração. Os preços das casas continuam a subir a dois dígitos, o que eleva automaticamente os montantes dos empréstimos solicitados. As taxas de juro, apesar de já estarem a subir na sequência da pressão da Euribor, mantiveram-se em níveis acessíveis durante o período em análise.

Acrescem os incentivos dirigidos a jovens compradores de primeira habitação, nomeadamente a isenção de IMT e a garantia pública, que permite financiamentos a 100% do valor do imóvel. O Banco de Portugal já alertou para os riscos associados a este tipo de financiamento integral.

O setor da construção e das atividades imobiliárias também está a pedir mais crédito, com uma taxa de variação anual de 12,1% em abril, a mais elevada entre os principais setores empresariais analisados pelo regulador.

Regras mais apertadas a caminho

Perante este crescimento, o Banco de Portugal, liderado por Álvaro Santos Pereira, já anunciou medidas corretivas, entre as quais a redução do limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%. O objetivo é prevenir fragilidades futuras num mercado que, pelos números, está a crescer a um ritmo que o regulador considera necessário moderar.

Para quem está a pensar comprar casa, este contexto reforça a importância de fazer uma análise cuidada antes de avançar com um pedido de crédito. A Incred trabalha precisamente nessa fase prévia, ajudando a perceber qual o enquadramento realista de cada situação face às condições atuais do mercado e às exigências da banca.

publicado em 04/06/2026

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