O Banco de Portugal vai reduzir o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45% na concessão de crédito habitação. A medida já está anunciada e o mercado começa a antecipar os seus efeitos: menos acesso ao crédito para algumas famílias, maior procura por taxas fixas e mistas, e um papel reforçado dos intermediários de crédito.
Cláudio Santos, vice-presidente da Associação Nacional dos Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), enquadra a medida numa perspetiva preventiva, como uma tentativa de mitigar riscos que possam surgir no médio prazo. A sua estimativa é que esta alteração isolada venha a provocar uma redução entre 8% e 12% no volume de crédito habitação concedido.
Taxas fixas e mistas ganham relevância
Com a taxa de esforço a apertar, as famílias que ficarem fora dos novos critérios com uma taxa variável podem encontrar alternativa nas modalidades fixa ou mista. Estas permitem, em alguns casos, apresentar condições diferentes no cálculo da taxa de esforço, o que pode ser determinante para conseguir aprovação do empréstimo.
A guerra de spreads entre bancos, por outro lado, não é esperada. Os spreads no crédito habitação já estão abaixo de 1% em média, o que deixa pouca margem para movimentos competitivos nessa frente.
O papel do intermediário de crédito
Com regras mais exigentes, perceber em que bancos se tem acesso e em que condições torna-se uma tarefa mais complexa para quem vai a mercado sozinho. Cláudio Santos prevê que a procura por intermediários de crédito aumente precisamente por isso, para identificar onde é possível financiar, comparar condições e apresentar o processo da forma mais adequada a cada perfil.
É neste contexto que a Incred trabalha. Quando as regras ficam mais apertadas, a análise prévia do perfil financeiro do cliente e o conhecimento das condições praticadas por cada banco fazem a diferença entre conseguir ou não um financiamento.



